Blog

SUCESSÃO FAMILIAR NO BRASIL: Alguns números que deveriam fazer toda família parar para conversar.

O que os dados mostram sobre sucessão familiar no Brasil

1. O campo brasileiro está envelhecendo e isso é um problema sucessório

No Censo Agropecuário 2017, a participação dos produtores com 65 anos ou mais atingiu 23,2% no conjunto dos estabelecimentos agropecuários. Em 2006, era 17,5%. Entre os estabelecimentos de agricultura familiar, o problema é ainda mais relevante: 26% dos produtores tinham 65 anos ou mais (IBGE 2025). 

Diante desta situação, compreende-se que a sucessão rural não é apenas uma questão de herança. É também uma questão de renovação da capacidade de gestão e permanência da atividade produtiva.

 

2. A agricultura familiar perdeu 2,2 milhões de postos de trabalho

Entre 2006 e 2017, o número de estabelecimentos de agricultura familiar caiu 9,5%. Mais impressionante: nesse mesmo período, a agricultura familiar perdeu 2,2 milhões de pessoas ocupadas. (IBGE, 2019)

Isso ajuda a colocar a sucessão sob uma perspectiva diferente. Não estamos falando apenas de: "Quem vai ficar com a propriedade?" Estamos falando de:

"Quem vai continuar produzindo, administrando e desenvolvendo essa propriedade?"

Nova pesquisa do Governo do Rio Grande do Sul em 2026 traz um dado alentador, 72% dos jovens pesquisados dizem que não pretendem deixar o campo.

 

3. Quase metade dos agricultores pesquisados não tinha sucessor garantido

Um estudo realizado em 219 propriedades de dez municípios de cinco estados brasileiros,  Paraná, Santa Catarina, Pará, Pernambuco e Bahia, revelou um dado preocupante: quase metade dos agricultores familiares não possuía garantia de possíveis sucessores.

Entre os fatores estavam a busca por outras fontes de renda pelos jovens e a migração para fora da propriedade (Toledo e Zonin, 2021). É importante destacar que não se trata de uma estatística nacional, mas sim de uma evidência acadêmica bastante interessante sobre o fenômeno.

 

4. Em uma pesquisa com produtores de leite, só 39,63% tinham sucessor definido

Uma pesquisa realizada por Antunes em 2024 para o portal MilkPoint com 376 participantes encontrou:

  • 39,63% já tinham um sucessor definido;
  • 32,45% consideravam possível não ter sucessor;
  • 14,36% já haviam iniciado a preparação do sucessor;
  • 13,56% ainda não tinham começado a tomar decisões.

Somando aqueles que já tinham sucessor aos que estavam preparando alguém, chega-se a 53,99%.

 

5. O problema não é apenas "falta de interesse dos filhos"

Um estudo com 308 propriedades rurais do Rio Grande do Sul mostrou que a sucessão está fortemente relacionada à maneira como pais e filhos distribuem trabalho, gestão, renda, participação e autonomia. (Spanevello et al., 2024).

Isso é particularmente interessante porque muda a pergunta. Talvez a pergunta não seja: "Meu filho quer assumir a propriedade?" Mas: "Eu estou criando espaço para que ele queira assumir?"

 

6. As mulheres ainda enfrentam uma barreira invisível

Uma pesquisa com jovens mulheres rurais mostrou que elas recebem menos incentivo para permanecer no campo e menos oportunidades de participar das atividades operacionais e gerenciais da propriedade.

O resultado é particularmente paradoxal: mesmo quando há interesse em permanecer, algumas jovens não encontram espaço para se desenvolverem como sucessoras. (Breitenbach, 2024). Portanto, a sucessão também é uma questão de gênero e de distribuição de poder dentro da família.

Este é um reflexo dos desafios que enfrentaremos na sucessão familiar nos próximos anos! Topa mudarmos esta história?

Veja também